4.| Nicolas Bouvier

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Para M.,

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The Dream of an Autumn Night

Heian-kyō (Kyoto), AD 1000

‘Three centuries earlier they had borrowed the lunar calendar from China, adding an intercalary month when they needed it. In the literature of this period there is no talk of the sun, jay braggart, that buffoon. The moon is sovereign; she can win hearts, and when she is full, she can make your wish come true. Watching her rise above a well-chosen landscape (tsuki-mi) is – still today – one of the favourite pastimes in September.’ (*4)

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Convidaram-me para a festa da Tsuki-mi. Um bolo esférico, muito amarelo, era o centro da mesa. Todas as pequenas entradas assemelhavam-se às formas das várias fases da lua. Sentados no jardim, olhávamos para o céu. Diziam, ‘look how beautiful and round’. Olhávamos todos em simultâneo, como se fizéssemos parte de uma coreografia, como que hipnotizados pela perfeição do círculo e pelo brilho intenso. Havia uma sincronização natural e um pasmo colectivo. É raro termos tempo para olhar para o céu e simplesmente contemplá-lo. Em Londres é pouco habitual apercebermo-nos de quando a lua está cheia pois as nuvens têm tendência a cobri-la. A mudança de estação e os ciclos lunares lá têm outro significado. É feita uma pausa.

Quando a conheci disse-me que era, para além de artista plástica, marionetista. Não é vulgar de encontrar. Constrói marionetas de sombra, enormes. Escreve os textos e manipula as personagens que, embaladas pelo dançar das chamas, rapidamente se transformam de gigantes em anões. As histórias são, para o espectador, por vezes um pouco abstractas, atribuindo uma qualidade mística às narrativas. Perguntei-lhe quando seria o próximo espectáculo, esperando poder assistir. Disse-me que só acontecem quatro vezes por ano, nos solstícios e nos equinócios. A lua, o sol, as estações, o tempo, ditam a forma de estar consolidando uma harmonia entre a natureza e o Homem repondo a importância perdida àquilo que fora banalizado.

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(*4) Excerto de  ‘The Dream of an Autumn Night’ em  ‘The Japanese Chronicles’ de Nicolas Bouvier, 1ª edição publicada em 1989

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Mへ、

ある秋の夜の夢

平安京(京都)、西暦1000年

三百年前に、日本には中国の月暦が持ち込まれ、閏(うるう)の月が必要に応じて付け加えられた。この時代の文学で太陽や自慢やのカケス、道化師を語ることはなかった。月が支配していた。月は人の心をつかみ、満月は、人の願いを叶えた。月が選りすぐられた景色の上に浮かぶのを見上げる(月見)は、今日でも9月の風物詩である。

私は月見に呼ばれました。 とても黄色くて丸いケーキがテーブルの中央に飾られていました。様々な月の形に飾られた前菜が並べられました。私たちは庭に座り、空を見上げました。とてもきれいで丸い月でした。まるで振り付けられた踊りの様に、完璧に丸い満月の形とその輝きによって催眠術にかけられたように、私たちは同時に見上げたのでした。それは自然との同化した、集団的な感覚麻痺のようでした。空を見上げ、単にじっと見つめることはまれなことです。ロンドンでは、月にはいつも雲がかかっているので、丸い月を見上げることは珍しいのです。あちらでは、季節の変化と月の満ち欠けには特別な意味があります。間があります。

私が彼女に出会ったとき彼女は、芸術家というよりも人形劇作家なのよ、といいました。普通の人形劇ではなく、彼女はとても巨大な影を使った人形劇を作るのでした。彼女はシナリオを書き、炎の加減によって巨人から小人に急に変化してしまうキャラクター達を構成するのです。ストーリーは、観客にとって少し抽象的で、ちょっと不思議な雰囲気のある話でした。実際に見る機会のあることを期待しながら、次の公演がいつなのかを聞いてみました。一年に、夏至と冬至、そして春分、秋分の四度しか公演はしないことを彼女は教えてくれました。月、太陽、季節、天候が、かつてあった価値観を再び満たそうとする彼らの自然と人の協調を重視する生活を、決定づけているのでした。

 

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